Sines e turismo distorcem indicadores e deixam Alentejo à beira de perder 700 milhões

O Alentejo arrisca ver reduzido em cerca de 700 milhões de euros o montante de fundos europeus de coesão no próximo período financeiro da União Europeia, previsto para 2028‑2034.

A possibilidade decorre dos critérios que estão a ser negociados em Bruxelas e que, a manterem‑se, colocam a região numa posição desfavorável face ao restante território nacional.

A atualização recente do PIB per capita, divulgada pelo Instituto Nacional de Estatística, elevou o Alentejo para valores acima dos limites que definem as regiões com direito a apoios reforçados. Por esse motivo, o Alentejo surge, neste momento, como a única área do país potencialmente sujeita a um corte expressivo de financiamento.

António Ceia da Silva, presidente da CCDR Alentejo, explicou à Rádio Portalegre que nada está decidido e que a Comissão Europeia ainda pode rever os critérios. Sublinha, contudo, que, caso o cenário se confirme, será profundamente “injusto”, lembrando que o Alentejo continua a apresentar os indicadores socioeconómicos mais frágeis do país e necessita de investimento continuado para reduzir assimetrias internas.

O responsável destaca que o facto de o rendimento per capita da região ultrapassar os 75% da média europeia deve se, em grande medida, a duas dinâmicas específicas: por um lado, a influência dominante do polo industrial e energético de Sines, que acaba por enviesar os resultados globais; por outro, o crescimento exponencial do turismo no litoral alentejano, que faz subir os números sem que esse impacto se distribua de forma equilibrada pelo território interior.

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