A Força Aérea Portuguesa admite que Alter do Chão, no Alto Alentejo, é a única possibilidade para a relocalização do campo de tiro de Alcochete.
Perante uma sala cheia de alterenses, o coronel da Força Aérea, Carlos Paulos, explicou que todo o país foi analisado, quando havia a ambição de construir um campo de tiro e de manobras das forças armadas, e na altura Mértola surgiu como opção.
Paulos adiantou que atualmente trata-se “apenas” da relocalização do campo de tiro de Alcochete, uma infraestrutura de dimensão menor (cerca de 7.500 hectares), cuja única possibilidade em cima da mesa é o concelho de Alter do Chão.
O representante da Força Aérea falava no Cine Teatro de Alter do Chão, quinta feira à noite, no período que antecedeu a ordem do dia da reunião da Assembleia Municipal, perante várias pessoas que compareceram para obter esclarecimentos sobre a transferência do campo de tiro para o concelho alentejano.
O coronel explicou que as atividades de um campo de tiro incluem tiro direto e indireto,de menor ou maior distância, tiro ar-solo realizado pelos aviões, com metralhadoras ou lançamento de bombas, a maior parte inertes, que não causam ruído.
O espaço é também utilizado para exercícios militares de forças destacadas para missões no estrangeiro, PSP, GNR e Marinha.
Carlos Paulos garantiu ainda que “não há perigo de haver contaminação do lençol freático”, uma vez que todas as munições são inativadas e retiradas do solo.
Perante as várias questões que lhe foram colocadas o coronel explicou ainda que o gasoduto que atravessa a área será “naturalmente” tido em consideração e acrescentou que há leis que protegem o ambiente, o património e a área urbana.
O presidente da Câmara Municipal de Alter do Chão, Francisco Miranda, também foi alvo de várias questões.
O autarca começou por assumir que não tem “elementos suficientes” para conferir se a infraestrutura trará mais vantagens do que prejuízos.
Acrescentou que a Força Aérea reagendou a visita do executivo camarário ao campo de tiro de Alcochete para o próximo dia 06 de maio, depois de ter adiado, por duas vezes.
Miranda frisou que a obra, que é da Força Aérea Portuguesa e do Ministério da Defesa, ainda está em fase de estudos e garantiu que “na altura própria e depois de todas as fases cumpridas para a mudança” fará a sua avaliação.
No entanto diz acreditar que o campo de tiro e a barragem do Pisão são obras que “reúnem condições” para que o concelho de Alter do Chão possa alcançar outros patamares de desenvolvimento.
A população local, presente nesta reunião, quis obter o máximo de informação sobre esta “possibilidade”, que afeta de sobremaneira os agricultores da zona indicada para a nova construção, que deverão ser expropriados.
A 11 de março deste ano, o ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, anunciou que o campo de tiro de Alcochete vai ser transferido para Alter do Chão, devido à construção do novo aeroporto Luís de Camões.
Nuno Melo afirmou que o Campo de Tiro constitui uma oportunidade para Alter do Chão, território para onde se mudarão duas centenas militares e suas famílias, “ajudando a dinamizar o comércio e os serviços, tendo filhos e outros elementos do agregado a estudar nas escolas, a trabalhar na região”.
O ministro acrescentou que “a este concelho serão também assegurados investimentos compensatórios e não só, importantes para o seu desenvolvimento futuro”.
