A apresentação do livro “50 anos do Hospital Doutor José Maria Grande – 500 anos de assistência hospitalar em Portalegre” trouxe a público episódios desconhecidos da história da saúde no distrito e reforçou a ambição de expansão do hospital, com a criação de um campus que integre cuidados, investigação e formação.
À margem da apresentação da obra, esta quinta feira (16 de setembro), no Centro de Congessos da Câmara Municipal de Portalegre, o autor, António Ventura, disse que quis “fazer uma retrospectiva até ao século XVI, quando surgiram as Misericórdias”, seguindo depois “o percurso do que existiu a nível dos hospitais e de outras entidades ligadas à saúde até à fundação do atual hospital”.

Entre os episódios destacados, o investigador sublinha a existência de dois hospitais militares em 1797, instalados no Convento de São Francisco e no Seminário, “na perspetiva de haver uma guerra com a Espanha”, um facto “praticamente desconhecido”.
Recorda também o antigo lago que abastecia a fábrica de Lanifícios, “um foco de putrefação e infeções”, cuja eliminação só avançou no século XX.
O autor admite que a pesquisa “não foi fácil”, sobretudo para épocas mais recentes, devido à escassez ou desorganização das fontes, recorrendo à imprensa local e a depoimentos pessoais. Ainda assim, considera que o livro é “uma homenagem a muitas figuras importantes que deram muito de si em prol dos outros e estavam esquecidas”.

Na sessão, bastante participada, o presidente do Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde (ULS) do Alto Alentejo, Miguel Lopes, sublinhou que os 50 anos do hospital representam “várias gerações de profissionais que fazem dele o que é hoje”, uma instituição que há meio século “tem como missão cuidar da população de Portalegre e do distrito”.
Sobre o futuro, foi reafirmada a ambição de expansão do Hospital Dr. José Maria Grande, com a integração do antigo Colégio de Santo António no projeto do Campus de Saúde, que pretende concentrar num único espaço cuidados hospitalares, paliativos, primários, saúde pública, investigação e formação, “uma entidade pioneira a nível nacional”.
Também o município destacou o papel central do hospital na vida dos portalegrenses. A presidente, Fermelinda Carvalho, salientou a importância do hospital e das infraestruturas públicas de saúde, defendendo no entanto a necessidade se reforço do Serviço Nacional de Saúde (SNS), reconhecendo que “a existência de um hospital privado em Portalegre seria positiva como complemento”.


Com investigação e coordenação científica de António Ventura, design gráfico de Raul Ladeira, prefácio de Fermelinda Carvalho e posfácio de Miguel Lopes, a obra “50 anos do Hospital Doutor José Maria Grande – 500 anos de assistência hospitalar em Portalegre”, com um milhar de exemplares, foi entregue à ULS do Alto Alentejo, que ficará responsável pela sua distribuição junto de profissionais, dirigentes e outras personalidades com intervenção no setor da saúde.
