Mais de duas centenas de pessoas associaram-se, esta quinta-feira, a uma marcha silenciosa em defesa da manutenção do horário do médico oncologista Rui Dinis, no Hospital de Portalegre.
A mobilização, que começou na Praça da República e terminou em frente à unidade hospitalar, culminou numa troca direta de palavras entre os manifestantes e o presidente do Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde (ULS) do Alto Alentejo, Miguel Lopes.
O protesto surge na sequência da reorganização do Serviço de Oncologia da ULS, que a partir de 1 de outubro passará a contar com três médicos: um oncologista residente (pela primeira vez na história desta ULS) e dois prestadores de serviços, grupo onde se inclui Rui Dinis, clínico que acompanha doentes na região há 16 anos.

Apesar de a administração garantir que a assistência não será afetada, os utentes queixam-se de que a redução de tempo e de consultas já é uma realidade e temem pelo futuro do acompanhamento clínico.
À entrada do hospital, Miguel Lopes fez questão de receber as reclamações e afirmou estar sempre disponível para esclarecer todas as dúvidas sobre o processo.

O responsável reiterou que a continuidade do oncologista está salvaguardada, assegurando que não está em causa a redução do horário de nenhum profissional.
Segundo o presidente da ULS, o clínico mantém-se ao serviço e deslocar-se-á à unidade as vezes que forem necessárias para continuar a acompanhar os seus doentes.
Miguel Lopes acrescentou que, com a chegada de um médico residente que estará disponível cinco dias por semana entre Portalegre e Elvas, o serviço sairá reforçado.
O administrador assumiu que a direção não compreende o desagrado dos utentes, justificando que a instituição nunca informou nem comunicou que o médico Rui Dinis iria deixar de realizar as suas consultas na região.
A explicação, contudo, não convenceu os manifestantes. Sónia Silva, porta-voz do grupo, acusou o administrador da ULS de faltar à verdade, sublinhando que a redução na atividade médica já é uma realidade factual.
Segundo os utentes, as dificuldades em agendar consultas com Rui Dinis agravaram-se nos últimos tempos e a lista de espera já ronda os 350 doentes.
Sónia Silva relatou que enviou um e-mail à administração a questionar quantos dias o médico iria dar consulta, tendo recebido como resposta apenas a indicação de que se dirigisse ao secretariado.
A porta-voz criticou ainda o facto de as consultas para o clínico só terem ficado disponíveis naquele mesmo dia e apenas para o equivalente a um dia e meio de trabalho.
Os manifestantes asseguram que não estão contra a vinda de novos profissionais, o que consideram positivo, mas exigem que Rui Dinis mantenha a mesma carga horária que possuía, incluindo a flexibilidade para dar consultas aos sábados ou domingos se necessário, de forma a escoar a lista de espera acumulada.
A marcha silenciosa desta quinta-feira reflete uma onda de descontentamento que já se tinha materializado numa petição pública com mais de 2.700 assinaturas e numa reunião formal dos doentes com a presidente da Câmara Municipal de Portalegre.

Os utentes prometem manter-se atentos e exigem que, além do volume de horas, seja preservado o poder de decisão clínica do médico que há mais de década e meia é o pilar do tratamento oncológico no Alto Alentejo.

