Mais de metade dos lugares analisados no Alto Alentejo não dispõe de oferta alimentar local e cerca de 15 mil residentes vivem a mais de 15 minutos de um supermercado, de acordo com as conclusões do projeto internacional DESERT.
Coordenado pela Universidade de Évora, com a colaboração da CIMAA, o projeto DESERT – Diet and Exercise Strategies for Equity in Rural Territories (Estratégias de Alimentação Saudável e Atividade Física para a Equidade nos Territórios Rurais), tem o Alto Alentejo como território de estudo e procura identificar e caracterizar os chamados desertos alimentares e de exercício físico, ou seja, contextos onde as populações enfrentam dificuldades no acesso a alimentação saudável e à prática regular de atividade física.
Os resultados preliminares da componente portuguesa apontam para desigualdades territoriais significativas. Dos 264 lugares analisados, 52,3% não apresentam oferta alimentar local de acordo com o indicador utilizado, embora concentrem apenas 4,7% da população. Em sentido contrário, os 25 lugares com melhor classificação reúnem 67,3% dos residentes analisados.
O estudo conclui ainda que 96 lugares registam tempos de deslocação superiores a 15 minutos até ao supermercado mais próximo, abrangendo cerca de 14.800 habitantes, o equivalente a 15% da população considerada.
A investigação identificou também oito freguesias particularmente marcadas pelo envelhecimento e pela perda demográfica. Nestes territórios, em média, 52% dos habitantes tinham 65 ou mais anos em 2021 e a população diminuiu cerca de 26% na última década.
Segundo os responsáveis pelo projeto, os resultados demonstram a necessidade de olhar não apenas para a existência dos recursos alimentares, mas também para as condições reais de acesso, as características demográficas e as vulnerabilidades socioeconómicas de cada território.
