Os seis ciclistas do projeto “Pedalar pela Vida” foram recebidos este domingo no Rossio de Portalegre por dezenas de pessoas que quiseram assinalar o regresso da equipa à cidade, depois de concluírem a travessia solidária dos Pirenéus.
A comitiva terminou na sexta‑feira um percurso de sete etapas entre o Atlântico e o Mediterrâneo, totalizando cerca de 900 quilómetros e mais de 21 mil metros de desnível positivo. O desafio, integralmente suportado pelos próprios participantes, teve como objetivo angariar fundos para a Liga Portuguesa Contra o Cancro – Grupo de Apoio de Portalegre, garantindo que todos os donativos revertem para a instituição.
A edição de 2026 voltou a reunir os seis elementos que desde 2022 promovem desafios solidários de longa distância: João Feiteira, Júlio Ceia, Paulo Miranda, Vítor Cordeiro, Joaquim Almeida e João Albuquerque.
Durante a receção, João Feiteira fez um balanço emocional da travessia, descrevendo a semana como “incrível” e recordando que o grupo já sabia que enfrentaria um desafio físico “tremendo”.
Feiteira explicou que, sensivelmente a meio do percurso, alguns elementos começaram a sentir-se em queda anímica, duvidando da capacidade de cumprir o objetivo, mas que o apoio constante das pessoas, tanto as presentes no Rossio como as que acompanharam à distância, acabou por funcionar como força adicional.
O “capitão” da equipa recusou o estatuto de herói afirmando que os verdadeiros heróis são aqueles que enfrentam a doença oncológica, travando uma luta desigual e muito mais dura do que qualquer subida de montanha.
Sobre o futuro, admitiu que ainda não há planos definidos, mas garantiu que algo será feito no próximo ano, porque o apoio da comunidade, que enviou mensagens diárias de incentivo, fez o grupo sentir que todos estavam a pedalar com eles.
Cristina Bruno, coordenadora do Grupo de Apoio de Portalegre da Liga Portuguesa Contra o Cancro, destacou o impacto da iniciativa, que descreveu como uma verdadeira “luz de esperança”, considerando que o esforço dos ciclistas, apesar de não ser comparável ao percurso de um doente oncológico, estabelece uma analogia que os doentes reconhecem e valorizam, sentindo-se acompanhados e apoiados.
A responsável sublinhou que esse sentimento é importante para os doentes, para as famílias e para a própria Liga, que vê na iniciativa um motivo de orgulho.
Com o regresso da equipa a Portalegre, fica concluída mais uma edição do “Pedalar pela Vida”, iniciativa que volta a reforçar o envolvimento da comunidade e o compromisso dos participantes com a causa da Liga Portuguesa Contra o Cancro.

