Respostas à saúde mental aquém das necessidades desafiam entidades no Alto Alentejo (c/fotogaleria)

A necessidade de reforçar respostas e melhorar a articulação entre instituições marcou o Fórum da Saúde Mental, que decorreu esta sexta feira (9 de outubro) no Crato, onde responsáveis da saúde, ação social, autarquias e comunidade intermunicipal defenderam um trabalho conjunto para responder de forma mais eficaz aos desafios da região.

Na sessão de abertura do evento, a diretora do Centro Distrital de Portalegre do Instituto da Segurança Social, Eunice Gueifão, alertou para a insuficiência de respostas existentes e para a inadequação de algumas soluções face à complexidade das situações acompanhadas.

A responsável defendeu que as políticas públicas devem colocar a saúde mental no centro das prioridades, garantir uma resposta equilibrada em todo o território e apostar na criação de respostas comunitárias, através de uma estratégia integrada entre as várias entidades envolvidas.

Também o presidente do Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde do Alto Alentejo (ULS) do Alto Alentejo, Miguel Lopes, reconheceu que a procura atualmente existente excede a capacidade de resposta disponível.

O dirigente explicou que o acompanhamento em saúde mental não depende apenas da psiquiatria, destacando o trabalho desenvolvido por uma equipa multidisciplinar composta por enfermeiros especialistas, psicólogos, assistentes sociais e terapeutas. Miguel Lopes admitiu ainda a existência de lista de espera para consultas de psiquiatria, referindo que o tempo poderá variar entre algumas semanas e vários meses e sublinhou a necessidade de investir não apenas no tratamento da doença mental, mas também na prevenção e promoção da saúde mental.

Por sua vez, a vice-presidente da Câmara Municipal do Crato, Sandra Cardoso, defendeu mais respostas adaptadas às características do território. A autarca reivindicou equipas com capacidade para chegar às localidades mais afastadas, maior articulação entre saúde e ação social e respostas diferenciadas para crianças, jovens, adultos e idosos.

Já o presidente da Comunidade Intermunicipal do Alto Alentejo (CIMAA), Joaquim Diogo, anunciou reuniões com todas as comarcas da região para melhorar a articulação entre entidades e criar pontos focais em cada localidade.

O também presidente da Câmara do Crato, destacou ainda áreas como a habitação, a mobilidade, a formação de profissionais e a aproximação entre instituições e cidadãos como prioridades para os próximos anos, defendendo um trabalho em rede para facilitar respostas e sinergias no território.

O programa inclui a participação de 19 municípios e entidades, representados em stands ao longo do espaço do evento, que decorreu no Jardim Municipal do Crato.

Entre os presentes esteve a Cooperativa D’Alegria, representada por Maria Simões, palhaça de profissão, com vários projetos no Alto Alentejo.

Em declarações à Rádio Portalegre, Maria Simões defendeu que o humor e as artes podem desempenhar um papel importante na promoção da saúde mental e no apoio a processos terapêuticos.

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