Mais de 2,3 toneladas de siluro foram capturadas na Barragem de Belver, no rio Tejo, numa megaoperação que mobilizou cerca de 70 pessoas e que expôs a dimensão da presença desta espécie invasora na região.
A maior parte dos peixes capturados foi encaminhada para uma empresa de processamento de biomassa piscícola, tendo sido cumpridos todos os protocolos de bem‑estar animal durante a operação.
O siluro, considerado o 10.º maior peixe do mundo, podendo atingir 2,8 metros e 130 quilos, não tem predadores naturais nos ecossistemas portugueses. Estudos recentes indicam que esta espécie já preda 23 das cerca de 30 espécies de peixes existentes no Tejo, incluindo barbos, enguias e sáveis, com impacto direto na biodiversidade e na economia local.
A espécie apresenta ainda um crescimento acelerado em Portugal: um siluro pode atingir 2 metros aos 14 anos, quando na sua área nativa só atinge esse tamanho entre os 30 e os 35 anos. A elevada fecundidade, até 300 mil ovos por ano, agrava o risco de proliferação.
A ação decorreu junto à Praia de Ortiga, no concelho de Mação, integrada na Semana sobre as Espécies Exóticas Invasoras e em parceria com o projeto europeu Life-Predator, que coordena em Portugal o controlo do Silurus glanis.
Participaram pescadores profissionais, a equipa técnica do projeto, Vigilantes da Natureza do ICNF e elementos do corpo nacional de agentes florestais da Região de Lisboa e Vale do Tejo.
Os municípios de Mação e Gavião, a Junta de Freguesia de Ortiga, o SEPNA da GNR de Abrantes e a EDP apoiaram a operação, nomeadamente na gestão do caudal das barragens.
O projeto Life-Predator e o ICNF defendem a continuidade destas ações, com o objetivo de travar a expansão da espécie, testar métodos de controlo em áreas protegidas e avaliar a eficácia das intervenções no restabelecimento do equilíbrio ecológico do Tejo.
