Gavião: autarca exige travão imediato ao avanço de parques solares e eólicos

O presidente da Câmara de Gavião, António Severino, afirmou que a proposta do Governo para criar novas zonas de aceleração de energias renováveis levanta “preocupações significativas” para o concelho.

O autarca considera que o plano não protege as características ambientais e paisagísticas do território e pode pôr em causa a estratégia local ligada ao turismo de natureza e à preservação das aldeias.

Em declarações à Rádio Portalegre, António Severino explicou que Gavião já tem “quase 2% do território ocupado” por infraestruturas de energia renovável, incluindo um grande parque solar em fase final de construção, além de vários projetos eólicos e fotovoltaicos que continuam a chegar à autarquia.

Segundo o presidente, algumas aldeias estão já “cercadas” por linhas de alta tensão e outras estruturas, o que considera “extremamente negativo” para quem vive no território ou pretende regressar.

O autarca defende que não é contra a transição energética, mas exige “equilíbrio” na distribuição destes investimentos pelo país. Para Gavião, falta “coerência metodológica” na forma como o Governo delimita as áreas destinadas às renováveis e não existe uma clarificação sobre como o programa será integrado no Plano Diretor Municipal.

Outro ponto levantado e reforçado na entrevista é a ausência de garantias de benefícios obrigatórios para as populações que recebem estas infraestruturas. António Severino afirma que deve existir “um modelo claro de retorno” para os territórios de baixa densidade, mas considera que isso “não está definido”.

O presidente sublinha que as contrapartidas não podem ser apenas financeiras, defendendo que é preciso assegurar que o futuro das aldeias não fica comprometido por “amontoados de ferro” e linhas de alta tensão sobre as casas.

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