A serra que ardeu e a vila que ainda chora – Castelo de Vide lembra vidas ceifadas no trágico incêndio de 2003 no PNSSM

Passam hoje 23 anos sobre um dos incêndios com consequências mais trágicas registados no Parque Natural da Serra de São Mamede, aquele que, em agosto de 2003, tirou a vida a dois homens de Castelo de Vide e deixou uma marca profunda na memória da corporação e da comunidade.

Para assinalar a data, os Bombeiros Voluntários de Castelo de Vide realizaram esta quinta‑feira a romagem anual ao cemitério da vila, num gesto de homenagem e continuidade.

A cerimónia começou junto à campa de Francisco Franco, o bombeiro que morreu a 13 de agosto de 2003 durante as operações de combate às chamas que avançavam pela serra em condições extremas.

Depois, os bombeiros dirigiram‑se ao jazigo de Manuel Sequeira, agricultor castelovidense que perdeu a vida no dia seguinte, 14 de agosto, quando ajudava os operacionais no terreno.

Vinte e três anos depois, a corporação mantém o compromisso de assinalar a tragédia, preservando a memória de quem morreu a defender a serra e reforçando a importância da preparação e da vigilância em cada época de incêndios.

Em 2003, Portugal enfrentou uma das maiores crises florestais desde que há registos organizados. Entre 27 de julho e 15 de agosto desse ano arderam cerca de 300 mil hectares, morreram 18 pessoas e milhares foram obrigadas a abandonar as suas casas.

A serra de São Mamede integrou as zonas mais afetadas, com prejuízos significativos registados oficialmente nos concelhos de Castelo de Vide, Marvão, Portalegre, Crato e Alter do Chão.

Foto: RTP

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