A Junta da Extremadura vai reunir‑se com o Ministério das Infraestruturas de Portugal, encontro no qual espera obter esclarecimentos sobre o estado das obras da ponte transfronteiriça sobre o rio Sever, que ligará Cedillo a Montalvão‑Nisa e que permanecem suspensas devido a questões ambientais.
A confirmação foi dada pelo conselheiro de Infraestruturas, Transportes e Habitação da Junta da Extremadura, Francisco José Ramírez, durante uma visita a Cedillo para analisar a situação do parque público de habitação.
Segundo a rádio espanhola Onda Cero, Ramírez adiantou que a ponte de Cedillo será um dos temas centrais da reunião, agendada para 2 de setembro, e recordou que o projeto está inscrito “no orçamento deste ano”, com “verba suficiente para executar a parte da obra” em território espanhol, da responsabilidade da Junta.
O responsável sublinhou, contudo, que o Governo português tem de dissipar a incógnita e clarificar como pretende financiar a obra, que prazos prevê e que execução está disposto a assumir no período que considerar adequado.
A construção da ponte internacional sobre o rio Sever, que deverá ligar Cedillo, na Extremadura, a Montalvão em Nisa, no Alto Alentejo, é um projeto antigo da Raia que, apesar de acordado ao mais alto nível entre Portugal e Espanha, continua sem avançar no terreno devido a entraves ambientais.
A ligação direta entre as duas localidades é reivindicada há décadas pelas populações dos dois lados da fronteira, que hoje são obrigadas a percorrer mais de 80 quilómetros para atravessar o rio.
O projeto ganhou novo impulso na XXV Cimeira Ibérica, realizada em Faro, em outubro de 2024, quando os dois governos assinaram o compromisso para a construção da infraestrutura.
O acordo entrou em vigor em junho de 2025 e definiu que Portugal ficaria responsável pela elaboração do projeto, adjudicação e execução da obra, bem como pelo financiamento integral da ponte, ficando a manutenção futura dividida entre os dois países.
A empreitada foi consignada a 29 de dezembro de 2025, com um investimento de 19,5 milhões de euros, financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência. Além da ponte, o projeto inclui a requalificação de cerca de nove quilómetros da Estrada Municipal 1139, no lado português.
Contudo, o processo ficou bloqueado por questões ambientais. A obra implica o abate de mais de uma centena de sobreiros e várias centenas de azinheiras, espécies protegidas, o que obrigou à declaração de utilidade pública e à definição de medidas de compensação.
A Agência Portuguesa do Ambiente ainda não emitiu todas as autorizações necessárias, mantendo a construção suspensa e levantando receios de perda de financiamento europeu.
