Fronteira: Horta da Torre revela novos achados sobre o luxo romano

O Verão de 2026 trouxe novas campanhas arqueológicas ao Alentejo, coordenadas por André Carneiro, da Universidade de Évora, mas foi na Horta da Torre, em Fronteira, que se voltou a revelar um dos conjuntos romanos mais excecionais do país.

A escavação, ativa desde 2012, aprofundou o conhecimento sobre uma villa de dimensões monumentais, cuja área total poderá ultrapassar os 30 mil metros quadrados.

A equipa trabalhou este ano na ala norte do grande pátio interior, onde surgiram compartimentos em notável estado de conservação e uma lixeira romana com restos de banquetes, nomeadamente, ossos de bovinos, conchas de ostras e berbigão, além de cerâmicas usadas na iluminação e no serviço das refeições.

Estes materiais reforçam a leitura de um espaço doméstico opulento, marcado pela presença do stibadium, o móvel semicircular onde os convidados se reclinavam, considerado o exemplar mais bem preservado conhecido em território português.

Os trabalhos mostram também como o sítio foi reutilizado após o abandono romano – na sala do stibadium, onde outrora corria água pelo pavimento, instalou‑se uma cabana de pastores nos séculos VI/VII, deixando marcas claras de uma ocupação totalmente distinta.

Com paralelos raros no Ocidente do Império e afinidades com ambientes próximos de Constantinopla, a Horta da Torre afirma‑se como laboratório privilegiado para estudar luxo, quotidiano e transformação social na Antiguidade Tardia.

Apesar da ausência de programas nacionais de apoio à Arqueologia, o projeto continua a atrair estudantes de várias nacionalidades e universidades, consolidando Fronteira como ponto de encontro internacional para investigação científica.

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