De caravelas a pedais: portalegrense Nuno Gandum liga dois países que a História já tinha cruzado

O portalegrense Nuno Gandum está a ligar, a pedais, dois países que a História já tinha cruzado por mar. Transformou o regresso de Copenhaga (Dinamarca) numa travessia europeia de bicicleta, uma viagem solitária que junta esforço, descoberta e uma missão ambiental que quer trazer até Portugal.

A ideia nasceu ainda na Dinamarca, onde viveu dois anos enquanto concluía o mestrado. Primeiro como brincadeira, inspirada pelo quotidiano de Copenhaga, cidade onde a bicicleta é parte da rotina. Com o fim dos estudos, percebeu que podia trocar o voo por um percurso longo, seguindo por terra o caminho que, séculos antes, outros portugueses tinham feito por mar.

O trajeto tem decorrido sem grandes contratempos mecânicos. Os últimos dias trouxeram chuva e vento, mas de forma intermitente, permitindo-lhe manter o ritmo e aproveitar os derradeiros momentos de verão no norte da Europa. A experiência, afirma, tem sido motivadora e tem reforçado a vontade de concluir o desafio.

A viagem tem também uma dimensão solidária: Nuno está a angariar fundos para a Rewilding Portugal, organização cujo trabalho de conservação no Vale do Côa acompanha há vários anos. Ao longo do caminho, explica a iniciativa a quem encontra, gesto que tem ajudado a divulgar a causa e a aumentar o número de contributos.

Partiu de Copenhaga há pouco mais de duas semanas, depois de alguns dias dedicados a explorar o país onde viveu. Encontra‑se agora no segundo dia de passagem pela Alemanha, numa pequena vila junto a um lago que lhe serve de pausa antes de retomar a estrada.

A chegada a Portugal está prevista para meados ou finais de outubro, dependendo das condições físicas, mecânicas e do ritmo que conseguir manter. O objetivo é concluir o percurso antes de novembro, fechando uma ligação entre Dinamarca e Portugal que, desta vez, não se faz por caravelas, mas por quilómetros de estrada.

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