Portalegre: polémica na Oncologia longe de terminar

A polémica em torno do médico oncologista Rui Dinis marcou esta terça-feira a Assembleia Municipal extraordinária de Portalegre dedicada à situação dos serviços de saúde no concelho.

Perante críticas de utentes e do movimento “Valorizar Quem Cuida”, o presidente do Conselho de Administração da ULS Alto Alentejo, Miguel Lopes, rejeitou que a reorganização do Serviço de Oncologia tenha como objetivo afastar o clínico ou reduzir o acompanhamento prestado aos doentes.

Na sessão, Miguel Lopes sublinhou que cerca de 70% dos cerca de 2.500 doentes oncológicos ativos no distrito são seguidos por Rui Dinis, mas defendeu que a resposta assistencial não pode ficar dependente de um único profissional.

O responsável explicou que uma das principais questões em discussão está relacionada com a organização das consultas. Segundo afirmou, não foi dada qualquer orientação para cancelar consultas ou reduzir o acompanhamento clínico, mas apenas para proceder ao reagendamento administrativo de doentes, de forma a evitar a sobreposição de marcações à mesma hora e longos tempos de espera.

Miguel Lopes referiu ainda que as agendas do médico contemplavam múltiplos doentes no mesmo horário, situação que considerou incompatível com uma adequada gestão do atendimento e com as recomendações da Ordem dos Médicos relativamente aos tempos de consulta em Oncologia.

“O Dr. Rui Dinis irá continuar a ver estes doentes”, garantiu o presidente da ULS, acrescentando que o clínico continuará a acompanhar os utentes, mas com uma organização das consultas que permita evitar aglomerados de doentes e esperas prolongadas.

Outro dos temas abordados foi a contratação de um novo oncologista para a ULS Alto Alentejo. Miguel Lopes lamentou as críticas dirigidas ao profissional, defendendo que qualquer médico tem direito à presunção de inocência enquanto decorrem eventuais processos ou investigações.

O presidente da administração criticou ainda aquilo que classificou como insinuações e suspeições em torno da contratação do novo especialista, considerando que esse tipo de acusações prejudica a reputação dos profissionais de saúde.

Durante a intervenção, Miguel Lopes revelou também que a administração admite solicitar uma auditoria da Inspeção-Geral das Atividades em Saúde à atividade desenvolvida na Unidade de Oncologia de Portalegre, bem como tornar públicos dados que, segundo afirmou, permitirão esclarecer várias das questões levantadas em torno do funcionamento do serviço.

As declarações surgem numa altura de forte mobilização dos doentes. Recorde-se que, a 17 de setembro, centenas de pessoas participaram numa manifestação em Portalegre para contestar a reorganização do Serviço de Oncologia e defender a continuidade do modelo de acompanhamento assegurado por Rui Dinis ao longo dos últimos 16 anos.

Os utentes afirmam que o médico tem sido uma figura central no tratamento dos doentes oncológicos do Alto Alentejo e manifestam preocupação com uma eventual redução da sua intervenção clínica.

Dessa contestação nasceu o movimento “Valorizar Quem Cuida”, que reclama a manutenção das atuais condições de acompanhamento e defende que Rui Dinis continue a desempenhar um papel determinante na resposta oncológica da região.

Apesar das garantias deixadas pela administração, a reorganização do serviço continua a dividir opiniões e mantém-se no centro do debate público.

As explicações não convenceram o movimento “Valorizar Quem Cuida”. Em declarações à Rádio Portalegre esta quarta feira, a porta-voz do movimento, Sónia Silva, considerou que houve uma falta de respeito para com os doentes, os munícipes e os participantes na Assembleia Municipal, sustentando que os compromissos assumidos numa reunião anterior entre representantes dos utentes, a Câmara Municipal e o Conselho de Administração não tiveram tradução prática.

Segundo Sónia Silva, nessa reunião tinha ficado entendido que Rui Dinis manteria os dias de consulta que assegurava habitualmente, mas os utentes consideram que as alterações entretanto conhecidas não garantem a continuidade da resposta nos moldes atuais.

A representante do movimento acusou ainda Miguel Lopes de não ter respondido às principais preocupações dos doentes, nomeadamente sobre o número de consultas que o oncologista poderá realizar futuramente.

Apesar das críticas à reorganização, o movimento afirma não estar contra a contratação de novos especialistas. Sónia Silva defendeu que o reforço da Unidade de Oncologia é positivo, mas insistiu que isso não deve traduzir-se numa redução da atividade de Rui Dinis, cuja continuidade considera essencial para evitar o aumento das listas de espera e preservar a resposta prestada aos doentes.

A porta-voz do movimento destacou também que o clínico acompanha doentes oncológicos em Portalegre há cerca de 16 anos, considerando que o trabalho desenvolvido ao longo desse período foi determinante para a consolidação da Unidade de Oncologia e para a relação de confiança criada com os utentes.

Relativamente à eventual auditoria anunciada pela administração, Sónia Silva afirmou encarar a medida com tranquilidade, defendendo que a atividade desenvolvida por Rui Dinis é transparente e que uma fiscalização apenas permitirá esclarecer dúvidas sobre o funcionamento do serviço.

A representante confirmou ainda que os elementos do movimento acabaram por abandonar a Assembleia Municipal, argumentando que as questões consideradas essenciais ficaram sem resposta.

Por fim, garantiu que o “Valorizar Quem Cuida” continuará mobilizado na defesa da manutenção das atuais condições de acompanhamento dos doentes e da continuidade da intervenção de Rui Dinis na resposta oncológica da região.

Recorde-se que, a 17 de setembro, centenas de pessoas participaram numa manifestação em Portalegre para contestar a reorganização do Serviço de Oncologia e defender a continuidade do modelo de acompanhamento assegurado por Rui Dinis ao longo dos últimos 16 anos.

Os utentes afirmam que o médico tem sido uma figura central no tratamento dos doentes oncológicos do Alto Alentejo e manifestam preocupação com uma eventual redução da sua intervenção clínica.

Dessa contestação nasceu o movimento “Valorizar Quem Cuida”, que reclama a manutenção das atuais condições de acompanhamento e defende que Rui Dinis continue a desempenhar um papel determinante na resposta oncológica da região.

Apesar das garantias deixadas pela administração, a reorganização do serviço continua a dividir opiniões e mantém-se no centro do debate público.

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