O projeto da nova Aldeia do Pisão não sofre alterações na sequência da reprogramação financeira e temporal da Barragem do Pisão, aprovada pelo Governo no início deste mês.
Apesar de o executivo ter prolongado a execução da obra da barragem e da central hidroelétrica até 2030, mantendo um investimento global de 222,2 milhões de euros, a Comunidade Intermunicipal do Alto Alentejo (CIMAA) garante que o processo de realojamento da população continua a avançar de acordo com o calendário previsto.
O Conselho Intermunicipal da CIMAA aprovou, na última semana, por unanimidade a Nota Técnica de Realojamento da Aldeia do Pisão, documento que define as regras e soluções para a transferência dos residentes da atual aldeia, que ficará submersa pela futura albufeira da Barragem do Pisão, no concelho do Crato.
Em declarações à Rádio Portalegre, o presidente da CIMAA, Joaquim Diogo, explicou que o documento estabelece os procedimentos para o realojamento da população, clarificando a forma como serão consideradas as habitações principais e secundárias, bem como anexos, cavalariças, hortas e outras situações específicas identificadas pelos moradores.
Segundo Joaquim Diogo, o projeto da nova aldeia encontra-se em fase de estudo prévio, transitando já para projeto de execução. A apresentação pública está prevista para novembro, seguindo-se novas reuniões individuais com as famílias abrangidas.
Questionado sobre o impacto da reprogramação da Barragem do Pisão, o presidente da CIMAA assegurou que a planificação inicialmente definida se mantém inalterada e que o cronograma de trabalhos está a ser cumprido.
O responsável revelou que todas as pessoas residentes na aldeia já foram contactadas e participaram em reuniões de acompanhamento, presenciais ou por meios telemáticos, estando previstas novas sessões de esclarecimento durante os próximos meses.
O projeto da Nova Aldeia do Pisão prevê a construção de cerca de 80 habitações numa primeira fase, número que poderá aumentar até às 114 moradias, de tipologias entre T1 e T4. A nova localização ficará implantada numa área de aproximadamente oito hectares junto ao Monte da Velha e procurará reproduzir a identidade urbanística e arquitetónica da atual aldeia, integrando infraestruturas modernas e espaços verdes.
Joaquim Diogo confirmou ainda que o objetivo continua a ser concluir a nova aldeia até 2029. Paralelamente, está também a ser preparada uma operação de loteamento na vila do Crato para responder aos residentes que manifestem vontade de se fixar na sede do concelho em vez da futura aldeia.
O dirigente acrescentou que a CIMAA está a desenvolver o projeto em articulação com várias entidades, entre as quais a CCDR do Alentejo, a Agência Portuguesa do Ambiente, o ICNF e as Águas do Alto Alentejo, de forma a garantir a concretização do processo de realojamento associado ao Empreendimento de Aproveitamento Hidráulico de Fins Múltiplos do Crato.

