“Abandono do Estado” reflete‑se no desempenho dos alunos do Alentejo

A coordenadora do Sindicato dos Professores da Zona Sul (SPZS), Ana Luísa Caiola, afirma que os resultados do PISA no Alentejo revelam “o abandono do Estado ao interior”, marcado pelo fecho das escolas de proximidade e pela incapacidade de fixar professores.

Segundo a os resultados do relatório que avalia os alunos da OCDE nas áreas de leitura, matemática e ciências, voltaram a expor as desigualdades territoriais no acesso à educação em Portugal, com o Alentejo a registar desempenhos abaixo da média nacional.

Em declarações à Rádio Portalegre, Ana Luísa Caiola destacou que estes resultados são um reflexo de políticas que, ao longo de décadas, retiraram serviços públicos essenciais às aldeias e pequenos municípios, onde fecharam escolas, obrigando milhares de crianças a deslocações longas para centros escolares, penalizando o bem‑estar e as aprendizagens.

A coordenadora apontou também a crise da profissão docente como fator determinante para o desempenho da região, salientado que muitos professores continuam colocados longe da residência, sem apoios às deslocações ou à habitação, o que impede a fixação de quadros.

O sindicato, que abrange os distritos de Portalegre, Évora, Beja e Faro, acompanha o processo negocial do Estatuto da Carreira Docente e considera positiva a fusão do primeiro com o segundo ciclo e a redução do horário dos docentes da monodocência, reivindicação antiga da estrutura.

Ainda assim, alerta para problemas persistentes no arranque do ano letivo, como horários de trabalho, concursos e falta de professores qualificados, defendendo investimento na formação inicial.

A estrutura sindical assinala este ano 50 anos de existência, celebrando o aniversário com iniciativas culturais e musicais.

Em Portalegre a comemoração está agendada para sexta feira (18 de setembro), na Praça da Republica, com concertos Grupo de Cantares O Semeador e a Banda de Paulo Ribeiro.

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