Festas do Povo: gratidão às mãos que construíram a maior obra de arte de Campo Maior

O coração de Campo Maior despediu‑se domingo da sua maior obra de arte. As Festas do Povo de 2026 chegaram ao fim, deixando na vila um rasto de saudade, orgulho e a certeza de que esta tradição continua a ser feita de mãos, memória e comunidade.

O Jardim Municipal acolheu as últimas emoções, num momento simbólico em que os cabeças‑de‑rua queimaram uma flor de papel de cada artéria engalanada, gesto que marcou o adeus às cores que vestiram Campo Maior durante dez dias e a celebração do esforço de milhares de pessoas que trabalharam meses a fio em segredo.

No palanque oficial, o presidente da Associação das Festas do Povo, João Manuel Nabeiro, afirmou que a palavra que melhor traduz esta edição é a “gratidão”, referindo que foram meses de trabalho intenso, de noites longas e de decisões difíceis, mas também de amizade, entreajuda e vontade coletiva de fazer acontecer.

Nabeiro realçou ainda que o património das festas não reside apenas na beleza das ruas, mas sobretudo nas pessoas e na capacidade de transmitir saberes e fortalecer a comunidade.

O presidente da Associação evocou também o pai, Rui Nabeiro, lembrando o gosto profundo que tinha pelas festas, pelas portas abertas e pelas pessoas, e referiu que procurou manter os valores que dele recebeu, nomeadamente “servir, partilhar, conciliar e acreditar na comunidade”.

Antes de terminar, deixou aos campomaiorenses a ideia de que as festas só acontecem quando o povo quer e pediu que levassem consigo o orgulho autêntico de poder reconhecer o trabalho feito na própria rua.

Também o presidente da Câmara Municipal, Luís Rosinha, reforçou o sentimento de orgulho e identidade, considerando que Campo Maior voltou a transformar‑se no mais belo jardim do mundo pelas mãos do seu povo e afirmou que, apesar de a UNESCO reconhecer as Festas do Povo como património cultural imaterial da humanidade, são as mulheres e os homens campomaiorenses que as tornam realidade.

O autarca lembrou ainda que as festas são também memórias, histórias e técnicas transmitidas ao longo de gerações, e que muitos dos que já partiram continuaram presentes através do saber que deixaram.

Luís Rosinha evocou igualmente o Comendador Rui Nabeiro, destacando o papel que teve na afirmação da comunidade e na valorização da terra. E, tal como Nabeiro, deixou um desafio ao futuro, defendendo que Campo Maior não deve esperar mais 11 anos para voltar a fazer as festas, sublinhando que a decisão pertence ao povo e que a tradição renascerá quando a comunidade sentir que chegou novamente a hora.

As Festas do Povo de 2026 terminam nas ruas, mas permanecem, como ambos sublinharam, dentro de cada campomaiorense, na memória dos milhares de visitantes e na força de uma tradição que continua a mostrar ao mundo aquilo que Campo Maior sabe fazer melhor.

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