Fortalezas Abaluartadas da Raia devem ficar fora da Lista do Património Mundial este ano

A candidatura portuguesa das Fortalezas Abaluartadas da Raia, que envolve os municípios Almeida, Marvão e Valença,  não deverá ser inscrita este ano na Lista do Património Mundial.

A proposta de decisão que será apreciada em julho pelo Comité do Património Mundial da UNESCO, reunido em Busan, aponta para um adiamento da inscrição e para a necessidade de reformular profundamente o dossier, seguindo as recomendações técnicas do ICOMOS.

Segundo a documentação já disponibilizada para a 48.ª sessão, os peritos consideram que o conjunto formado por Almeida, Marvão e Valença “tem potencial” para justificar Valor Universal Excecional, mas sublinham que a candidatura precisa de uma reconceptualização global.

A  decisão não representa uma rejeição, mas sim um convite a reabrir e reforçar o dossier, num momento em que esta é a única candidatura portuguesa em análise em 2026.

A UNESCO entende que o atual enquadramento não demonstra de forma suficientemente clara o que define o “sistema da Raia”, nem como as três praças-fortes selecionadas representam a diversidade histórica, tipológica e territorial das fortificações fronteiriças portuguesas.

O comité deverá pedir a Portugal uma seleção mais representativa de componentes, apoiada em investigação adicional sobre cronologias, transferências tecnológicas e interações militares ao longo da fronteira.

O parecer técnico insiste também numa análise comparativa mais robustacom outros sistemas fortificados europeus e mundiais, bem como numa documentação mais completa dos atributos de cada fortaleza, desde a implantação e topografia ao estado de conservação, autenticidade e integridade.

Outro ponto crítico é o plano de gestão, que a UNESCO considera insuficientemente desenvolvido para garantir conservação, gestão de riscos e interpretação coerente para visitantes. Qualquer versão revista da candidatura terá de ser avaliada por uma nova missão de peritos no terreno, o que empurra o processo para um calendário plurianual.

O processo, iniciado formalmente em 2024, foi liderado por Almeida, Marvão e Valença, mas a UNESCO lembra que a Raia integra mais de uma centena de estruturas abaluartadas ao longo de 1300 quilómetros, um universo muito mais vasto do que o atualmente representado.

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