A secretária de Estado da Habitação, Patrícia Gonçalves Costa, alertou esta sexta‑feira, em Portalegre, que Portugal passou de construir 120 mil casas por ano nos anos 90 para apenas 20 mil atualmente.
Uma quebra de cem mil habitações anuais que, segundo a governante, está na origem direta da crise habitacional que o país enfrenta.
Patrícia Costa afirmou que “a crise da habitação não se resolve com uma única medida” e defendeu uma resposta integrada que inclua mais oferta pública, menos burocracia e maior apoio às famílias vulneráveis.
A secretária de Estado, que falava no encerramento de um seminário promovido pela Comunidade Intermunicipal do Alto Alentejo (CIMAA), sobre “Casas e Sítios – Desafios e Estratégias Integrativas”, sublinhou ainda que o problema não se limita às grandes cidades, lembrando que também os territórios de baixa densidade enfrentam falta de casas e dificuldades de acesso à habitação.
A governante destacou que o Estado tem em curso mais de 10 mil milhões de euros de investimento na área da habitação, mas avisou que, sem simplificação dos processos e sem aumento efetivo da oferta, a crise não será ultrapassada.

Já o presidente da Comunidade Intermunicipal do Alto Alentejo, Joaquim Diogo, afirmou que é fundamental criar mais soluções de habitação, com melhores condições de conforto, para conseguir atrair jovens e fixar população no território.
O autarca alertou que o Alto Alentejo só conseguirá manter os seus residentes e captar novos habitantes se houver uma resposta habitacional mais forte, capaz de corrigir desigualdades sociais, garantir casas acessíveis e oferecer melhores condições de vida.
Joaquim Diogo destacou ainda a importância de desenvolver novas soluções de produção de energia, essenciais para tornar o território mais sustentável e competitivo.
Também em declarações à Rádio Portalegre, o presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região Alentejo (CCDRA), Ricardo Pinheiro, defendeu que o país deve concentrar os fundos comunitários no combate à pobreza energética, que afeta cerca de um milhão e quatrocentas mil pessoas em Portugal.
Ricardo Pinheiro sublinhou que é urgente aumentar a produção de energia renovável, não apenas por razões ambientais, mas para baixar a fatura energética das famílias.
O responsável da CCDR Alentejo considera que esta deve ser uma prioridade nacional, lembrando que a transição energética só será justa se aliviar os custos suportados pelos cidadãos.
O seminário decorreu no Museu das Tapeçarias de Portalegre.
