A Assembleia da República (AR) recomendou ao Governo que adote medidas para a salvaguarda e reabilitação da igreja, antigo Convento de São Francisco e da extinta fábrica corticeira Robinson, em Portalegre.
Numa resolução publicada esta quarta feira (24 de junho) em Diário da República (DR), assinada pelo presidente da AR, José Pedro Aguiar-Branco, é recomendado ao Governo que “promova, com caráter prioritário”, os trabalhos de inventariação e avaliação técnica, patrimonial e estrutural daquele conjunto.
Este trabalho engloba o edificado, as estruturas fabris, as chaminés industriais, as coberturas, a maquinaria, as autoclaves, as caldeiras, os arquivos, o espólio industrial, o património móvel integrado, as condições de segurança e os riscos de degradação.
A AR quer também que o Governo apresente publicamente, “no prazo de 120 dias”, um ponto de situação e conclua a avaliação referida no número anterior em prazo compatível com a complexidade do bem classificado e com a urgência da sua salvaguarda.
O parlamento quer ainda que o Governo “adote as medidas cautelares e de conservação preventiva necessárias para evitar danos irreversíveis, designadamente quanto às chaminés industriais”.
Defende que seja constituída uma estrutura de acompanhamento técnico e institucional, com participação das áreas governativas competentes, de instituições científicas e académicas, de entidades culturais e de “outros parceiros relevantes”, com “mandato e objetivos concretos e obrigação” de apresentação pública de conclusões.
Por último, a AR quer que o Governo informe o parlamento, “no prazo de um ano”, sobre as medidas adotadas na sequência da presente resolução, incluindo o ponto de situação técnico, patrimonial, financeiro e institucional do processo de salvaguarda, conservação, valorização e dinamização do referido conjunto patrimonial.
A obra do Convento de São Francisco foi concluída em 1275, sendo uma das construções mais antigas da cidade e uma das primeiras casas da Ordem dos Frades Menores a ser fundada em Portugal.
Fundada em 1837, a antiga fábrica corticeira Robinson ocupa uma área com cerca de sete hectares em pleno centro histórico.
A unidade cessou a atividade industrial em 2009, na sequência da insolvência da Sociedade Corticeira Robinson.
As duas imponentes chaminés da antiga fábrica marcam o perfil da cidade, sendo consideradas um ‘ex-libris’ do Alto Alentejo.
