Chega questiona Governo sobre reorganização da Oncologia no Alto Alentejo

O Grupo Parlamentar do Chega quer esclarecimentos do Governo sobre a reorganização da resposta de Oncologia na Unidade Local de Saúde (ULS) do Alto Alentejo, que abrange os hospitais de Portalegre e de Elvas.

No requerimento, datado de 11 de setembro, dirigido à ministra da Saúde, os deputados questionam o novo modelo de funcionamento previsto para a especialidade e pedem dados concretos sobre a atividade clínica realizada nos últimos anos e sobre a capacidade assistencial que será assegurada a partir de 1 de outubro.

A reorganização tem provocado preocupação entre doentes oncológicos, familiares e população local, sobretudo devido às alterações previstas no hospital Dr. José Maria Grande, em Portalegre. O assunto motivou uma petição pública, que já reúne mais de 2.700 assinaturas, e uma concentração que juntou cerca de duas centenas de pessoas na cidade.

Um dos pontos centrais da polémica é a atividade do oncologista, prestador de serviço no hospital de Portalegre, Rui Dinis. Os deputados referem existir receio, entre os doentes e familiares, de uma redução da presença e da atividade do médico em Portalegre. A administração da ULS do Alto Alentejo garante, contudo, que não está prevista a saída nem a redução da atividade do médico e que este continuará a acompanhar os seus doentes.

A administração anunciou também que, a partir de 1 de outubro, a resposta de Oncologia contará com três médicos, incluindo, pela primeira vez, um oncologista integrado no quadro da instituição, com atividade repartida entre os hospitais de Portalegre e de Elvas.

O Chega considera, no entanto, que a informação divulgada até agora é pouco clara e, em alguns aspetos, contraditória. Os deputados querem saber qual era a atividade assegurada pelo serviço até 30 de setembro, qual será a presença efetiva de cada médico nos dois hospitais e como serão distribuídos os doentes.

Os deputados perguntam também quantos doentes estão atualmente a ser acompanhados pelo médico Rui Dinis e quantos continuarão sob a sua responsabilidade depois de 1 de outubro.

O requerimento questiona, por fim, se o Ministério da Saúde garante que o novo modelo vai aumentar a capacidade global da Oncologia em Portalegre e Elvas, reduzir os tempos de resposta e diminuir a dependência de prestadores de serviço.

O Chega defende que a discussão deve centrar-se na qualidade, estabilidade e capacidade da resposta prestada aos doentes oncológicos do Alto Alentejo, considerando que a continuidade dos cuidados é particularmente importante numa especialidade marcada por tratamentos complexos e prolongados.

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