O portalegrense Nuno Gandum concluiu esta quarta-feira, em Lisboa, a viagem de bicicleta que o trouxe desde Copenhaga, na Dinamarca, numa travessia europeia marcada pelo desafio pessoal, pela descoberta e pela sensibilização para a conservação da natureza.
A ideia nasceu durante os dois anos em que viveu na Dinamarca para concluir o mestrado. Inspirado pela cultura ciclável de Copenhaga, decidiu trocar o avião por uma viagem de regresso por terra, ligando dois países que a História já tinha aproximado por mar.
À chegada a Lisboa, Nuno Gandum descreveu o final da aventura como um momento de felicidade e de alívio. Explicou que a sensação de regressar a casa começou ainda quando cruzou a fronteira portuguesa, embora considerasse que o verdadeiro objetivo só estaria cumprido ao terminar o percurso. Até ao último quilómetro, aproveitou para continuar a descobrir locais que ainda não conhecia.
O portalegrense considera que a experiência correspondeu às expectativas traçadas à partida. Apesar dos imprevistos inevitáveis de uma viagem desta dimensão, nomeadamente algumas avarias mecânicas e dias de maior desgaste físico, considera que o percurso decorreu dentro do que imaginava e que acabou mesmo por superar algumas expectativas.
Os momentos mais difíceis surgiram precisamente quando enfrentou problemas na bicicleta, sobretudo em zonas mais isoladas, bem como em dias de maior cansaço. Ainda assim, não identifica um episódio em particular como o mais exigente de toda a travessia.
Entre as memórias que ficam para sempre, destaca um encontro com uma foca numa praia do norte da Dinamarca, um momento que considera especial e um dos mais marcantes de toda a aventura.
Nuno Gandum admite que, nos primeiros dias da viagem, chegou a duvidar da concretização do desafio. Depois de enfrentar algumas dificuldades mecânicas logo na primeira etapa, questionou se conseguiria chegar ao fim. No entanto, à medida que foi ultrapassando os obstáculos, a confiança aumentou e o objetivo pareceu cada vez mais alcançável.
Viajar sozinho durante várias semanas revelou-se uma experiência enriquecedora a nível pessoal. O ciclista destaca a facilidade em conhecer novas pessoas e em criar contactos ao longo do percurso, embora reconheça que os momentos de maior cansaço também evidenciam a falta de companhia para partilhar dificuldades e conquistas.
A travessia teve igualmente uma vertente solidária. Ao longo do percurso, Nuno Gandum promoveu uma campanha de angariação de fundos para a Rewilding Portugal, organização ligada à conservação da natureza no Vale do Côa. A iniciativa serviu de tema de conversa com muitas das pessoas que foi encontrando pelo caminho, ajudando a divulgar a causa e a atrair contributos.
Segundo o próprio, a reação das pessoas foi quase sempre de surpresa e admiração. Muitos consideraram a travessia uma viagem de sonho e destacaram a dimensão do desafio de percorrer a Europa de bicicleta desde a Dinamarca até Portugal.
Terminada esta aventura, Nuno Gandum admite que ainda é cedo para perceber como será o regresso à rotina. Para já, diz manter a vontade de continuar a viver novas experiências e não esconde que já pensa no próximo desafio, embora ainda não tenha definido qual será.
