O deputado do Partido Socialista eleito por Portalegre, Luís Moreira Testa, questionou a Ministra da Saúde sobre o “insucesso” do concurso nacional de colocação de médicos na Unidade Local de Saúde (ULS) do Alto Alentejo, alertando para a “realidade extremamente preocupante” que ameaça o acesso da população a cuidados de saúde essenciais.
Dos resultados agora conhecidos, apenas uma fração das vagas abertas foi preenchida. Nos Cuidados de Saúde Primários, das 16 vagas de Medicina Geral e Familiar, só duas foram ocupadas.
Os lugares destinados a concelhos com maior carência de profissionais, nomeadamente Alter do Chão, Avis, Castelo de Vide e Ponte de Sor, ficaram totalmente desertos. Também no hospital foi necessário abrir um procedimento urgente para tentar recrutar médicos para especialidades consideradas fundamentais.
Para Luís Moreira Testa, estes números confirmam que os atuais mecanismos de incentivo à fixação de médicos no interior “não estão a produzir os resultados esperados”. O deputado recorda que vários municípios do Alto Alentejo têm disponibilizado apoios à habitação e outras medidas de atratividade, mas mesmo assim “continua a ser impossível assegurar os profissionais de saúde de que a região necessita”.
Perante este cenário, o parlamentar socialista quer saber que avaliação faz o Ministério da Saúde sobre o fracasso do concurso, que novas medidas pretende implementar para tornar o Alto Alentejo mais atrativo para médicos e que soluções imediatas serão acionadas caso os procedimentos extraordinários de recrutamento também não tenham sucesso.
Luís Moreira Testa questiona ainda como pretende o Governo garantir o direito constitucional à saúde dos milhares de utentes que continuam sem médico de família e assegurar o funcionamento das urgências em especialidades essenciais.
Os habitantes do Alto Alentejo têm de ter uma resposta do Estado, que tem a obrigação de fixar profissionais de saúde numa região que enfrenta desafios acrescidos de interioridade”, defende o deputado, sublinhando que o Governo “tem de agir rapidamente e apresentar soluções eficazes para garantir cuidados de saúde de proximidade e em condições de igualdade com o resto do país”.
