Portalegre: disparos na escola da GNR expõem alegadas falhas na cadeia de comando da Guarda, denuncia defesa

O advogado do militar da GNR que, a 26 de junho, efetuou vários disparos para o ar no interior do Centro de Formação de Portalegre, à margem do juramento de bandeira, cerimónia em que estava presente o ministro da Administração Interna, Luís Neves, afirma que o caso envolve falhas graves na cadeia de decisão da Guarda Nacional Republicana.

De acordo com documentação oficial citada no comunicado, datado de 3 de agosto, a que a Rádio Portalegre teve acesso, o militar tinha sido dispensado do uso e porte de arma por motivos psicológicos e psiquiátricos.

Apesar disso, a 26 de junho, o mesmo militar foi escalado para um serviço armado no Centro de Formação e recebeu uma pistola Glock de 9 mm.

O comunicado sublinha que, antes dos disparos, houve contacto direto entre o comandante do Centro de Formação da GNR, coronel Pedro Filipe Saragoça Ribeiro, e o militar já armado, contacto que, segundo a defesa, exige esclarecimento, dado que o comandante conhecia a proibição de porte de arma.

A defesa sustenta que o Centro de Formação não cumpriu o parecer da Junta Superior de Saúde nem o despacho homologado, publicado na Ordem de Serviço n.º 62 de 31 de março de 2026, permitindo que um militar oficialmente impedido de usar arma fosse colocado num serviço armado.

Por isso, considera que a investigação não pode limitar‑se ao momento dos disparos, devendo apurar todas as decisões administrativas e hierárquicas que antecederam o episódio.

O advogado Mário Martins de Campos defende que o caso levanta uma “questão de responsabilidade institucional” e exige um esclarecimento “completo, transparente e independente” por parte do ministro da Administração Interna, do Comando‑Geral da GNR e da Inspeção‑Geral da Administração Interna.

A confiança dos cidadãos, afirma, “não se protege ocultando questões incómodas, mas apurando toda a verdade”.

O militar terá efetuado 10 disparos para o ar no interior na Escola da GNR de Portalegre, no dia em que o Ministro da Administração Interna, Luís Neves, tinha acabado de presidir ao juramento de bandeira de 652 novos guardas provisórios realizado no Estádio Municipal de Portalegre.

Os disparos, que não provocaram feridos, terão sido um ato de desespero do militar devido a situação clínica de um filho menor e a problemas de saúde que atravessa.  

O militar que aparentava instabilidade do foro psicológico foi de imediato acompanhado pelos serviços clínicos, tendo a situação sido prontamente controlada.  

Outros Destaques