O distrito de Portalegre surge como o grande destaque positivo do Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) de 2025, ao apresentar a maior descida nacional da criminalidade violenta e grave, com uma redução expressiva de 26%, num ano em que a maioria dos distritos registou aumentos.
Os dados foram apresentados esta terça‑feira no Conselho Superior de Segurança Interna, em Lisboa.
O relatório confirma que Portugal permanece globalmente seguro, mantendo a tendência de estabilidade que tem marcado a última década.
A criminalidade violenta e grave diminuiu 1,6% a nível nacional, enquanto a criminalidade geral participada aumentou 3,1%. Este crescimento é explicado pelo reforço da fiscalização e pela maior proatividade das forças de segurança, sobretudo em áreas como a criminalidade rodoviária, a detenção de armas proibidas e a desobediência.
No plano territorial, os Açores registaram a maior descida na criminalidade geral, enquanto Coimbra, Leiria e Bragança apresentaram as subidas mais acentuadas. Contudo, é na criminalidade violenta e grave que o contraste é mais evidente, com o distrito de Portalegre a destacar‑se como o distrito mais seguro, reforçando a imagem de estabilidade que tem marcado a região.
Nos crimes gerais, os ilícitos contra o património continuam a representar mais de metade das participações (50,5%), enquanto os crimes contra as pessoas correspondem a 25%.
O furto mantém‑se como o crime mais participado, ao passo que o abuso de garantia ou de crédito registou a maior descida, com menos 17,8%. Já a condução sob efeito de álcool, a condução sem habilitação legal e as burlas na aquisição ou aluguer de bens móveis apresentaram aumentos.
O relatório destaca ainda que a violência doméstica voltou a descer pelo terceiro ano consecutivo, com menos 1,9% de participações, embora continue a ser um fenómeno de grande expressão nacional, com maior incidência nos distritos de Lisboa, Porto e Setúbal.
No tráfico de estupefacientes, registaram‑se aumentos nas participações, detenções e apreensões, com especial destaque para o crescimento de 102,6% nas quantidades de haxixe apreendidas, enquanto a heroína foi a exceção, com uma quebra de 33,7%.
O auxílio à imigração ilegal registou um aumento muito significativo, com mais participações, arguidos constituídos e detenções, num crescimento que atinge os 225%.
Também a criminalidade económico‑financeira apresentou uma subida expressiva, com mais inquéritos iniciados, mais arguidos e mais detenções, num aumento global de 154%. Já a delinquência juvenil e a criminalidade grupal registaram ligeiras descidas, algo que não acontecia desde a pandemia.
