As comemorações dos 25 anos do Museu das Tapeçarias de Portalegre, que arrancaram este sábado e que se vão prolongar por um ano, ficaram “manchadas” pelas duras críticas de Vera Fino à Câmara Municipal de Portalegre, que são refutadas pelo município.
A diretora da Manufatura de Tapeçarias de Portalegre lamentou que, no próprio dia em que se assinala o quarto de século do Museu, persistam problemas que considera “graves” e que comprometem o futuro do espaço museológico.
Vera Fino recordou que o protocolo assinado em 2001 entre a Manufatura e a autarquia previa que o município dotasse o Museu de um orçamento anual próprio, incluindo verbas destinadas à aquisição de tapeçarias, compromisso que, segundo afirma, nunca foi cumprido.
A responsável sublinhou que, ao longo destes 25 anos, a Manufatura cumpriu sempre a sua parte, prestando consultoria permanente ao Museu e sem nunca receber qualquer remuneração, enquanto a Câmara tem avançado com iniciativas “inconsequentes”, muitas vezes ignorando a Manufatura, apesar de esta ser a entidade fundadora e detentora do saber técnico que sustenta o Museu.

A diretora acrescentou que a equipa que atualmente assegura o funcionamento do Museu dispõe de poucos recursos humanos e reforçou que a Manufatura está disponível para continuar a apoiar o Museu. No entanto, deixou claro que não aceitará qualquer tentativa da Câmara de apropriação do nome “Tapeçarias de Portalegre”, marca histórica e registada.
Apesar de ser “um dos dez museus mais visitados de Portugal”, Vera Fino considera que “as coisas não estão bem” e que o município não tem sabido valorizar o enorme potencial turístico associado à tapeçaria. Defende que qualquer estratégia de promoção deve ser construída em parceria com a Manufatura, e nunca à sua revelia.
A vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Portalegre, Laura Galão, mostrou-se incomodada e contestou as afirmações de Vera Fino, considerando que o discurso da diretora da Manufatura contém” inverdades”.
Laura Galão garantiu que não existe intenção da autarquia de se apropriar da designação “Tapeçarias de Portalegre”, considerando tratar-se de património que o município pretende promover, defendendo que é necessário distinguir o papel da Câmara, responsável pela divulgação da tapeçaria através do Museu, e o da Manufatura, enquanto empresa privada.
A autarca afirmou ainda que a abordagem de Vera Fino não corresponde ao trabalho desenvolvido pela equipa que gere o Museu, que, segundo disse, foi recentemente reforçada com dois elementos.
Inaugurado a 14 de julho de 2001, o Museu da Tapeçaria de Portalegre – Guy Fino tornou‑se, ao longo de um quarto de século, um dos símbolos mais reconhecíveis da cidade. Recebeu cerca de 262 mil visitantes e mostrou ao público obras de mais de 200 artistas plásticos, consolidando-se como espaço de criação, memória e experimentação artística.
